A crise do abastecimento e a indústria: graças aos Alimentos Industrializados não morreremos de fome!

Em um cenário de caos, desolação, gritarias em redes sociais, conflitos… guerra civil? Nem tanto. Espero. Mas, já no 9º dia de paralisação e crise de abastecimento, é impossível não pensar em comida, condição básica para a nossa sobrevivência.

De acordo com os dados fornecidos por comerciantes do CEAGESP, publicados na Folha de S. Paulo de hoje, os preços de legumes e verduras foram os mais afetados pela greve dos caminhoneiros no maior entreposto atacadista de alimentos da América Latina. Um fato que chama a atenção é que a batata foi o que mais sofreu aumento de preços: em uma semana, o kg subiu de R$ 1,61 para R$ 17,50. Interessante pensar que a batata é um dos legumes menos perecíveis.

Outra nota publicada hoje neste mesmo veículo recomenda algumas medidas para ajudar a população a passar pela crise resistindo a boatos e evitando o desperdício. Uma delas sugere que o consumidor opte por comprar e armazenar alimentos que possam ser consumidos a longo prazo e indica produtos como arroz, feijão, enlatados como atum e tomate pelado, embutidos, geleias e conservas.

Todos os alimentos citados são industrializados e, por sorte, temos ainda outras diversas opções disponíveis para o consumidor: chocolate, bolachas, leite UHT (ou “Ultra High Temperature”), alimentos congelados, dentre outros.

A mídia e, principalmente, as mídias digitais, como blogs, vlogs, redes sociais, têm dedicado muito tempo falando sobre o “bom” e o “mau” quando se trata de alimentos industrializados. E muitos termos têm sido utilizados de forma equivocada.

Não existem alimentos bons ou ruins. Existem dietas inadequadas. E, nesse contexto, vale uma reflexão: como viveríamos hoje sem os alimentos industrializados? Queremos retroceder e voltar ao passado?

É basicamente impossível pensar na vida hoje sem alimentos industrializados, especialmente porque queremos segurança alimentar, praticidade e, sobretudo, longevidade.

De acordo com os dados do IBGE, a expectativa de vida da população Brasileira em 2015 era em média de 75,5 anos. Na década de 40, era de 46 anos. Alguns indicadores mostram a relação entre o aumento da longevidade e o processo de industrialização. Dentre outros fatores, podemos citar o aumento médio da escolaridade e conhecimentos básicos de higiene e saúde, divulgação nos meios de comunicação de campanhas educativas ligadas a saúde e hábitos mais saudáveis de vida incluindo atividade física e alimentação. Ainda, melhoria do nível médio de renda da população brasileira. Também contribuíram fatores históricos como o processo de industrialização e urbanização e o processo de globalização mundial, possibilitando acesso mais fácil e barato a produtos e serviços que melhoraram a qualidade de vida. Vale reconhecer, neste período, o processo de evolução da indústria de alimentos no Brasil.

No passado, a indústria de alimentos tinha como principal foco a segurança alimentar. No entanto, nos últimos anos, atendendo às demandas dos consumidores, as indústrias têm investido cada vez mais na melhora nutricional dos seus produtos. Inclusive, vem gerando oportunidades para profissionais que atuam nas áreas de nutrição e saúde, que tem ocupado diversas funções nas empresas. Ainda, uma série de acordos voluntários firmados entre a Indústria e o Ministério da Saúde – como redução de sódio e de gordura – ilustram alguns caminhos adotados pela indústria de alimentos com o objetivo de atender às demandas da população. E, dessa forma, contribui para que todos nós possamos viver ainda mais!

Alimentos industrializados (ou processados) não são ruins: em qualquer situação, podem salvar nossas vidas – e a crise de abastecimento é um excelente exemplo!

Alimento Processado é o termo usado por nós Engenheiros de Alimentos e por profissionais da indústria alimentícia de modo geral, e é diferente da forma como a sociedade e a mídia entendem – e isso, aparentemente, vem gerando algumas confusões.

Sim, o arroz é um alimento industrializado. Assim como o feijão.  Ah, e são a base da alimentação da população brasileira. Na área de Ciência dos Alimentos, “alimento processado” significa simplesmente mudar algo no alimento. Quando um vegetal é lavado e embalado ele passa a ser um alimento processado. Um suco de laranja (sem adição de conservante, corante, nada), que sofre um processamento térmico conhecido como pasteurização (que mata microrganismos indesejáveis garantindo que o produto chegue à nossa casa seguro para consumo) é um alimento processado. Qualquer tipo de alimento que é alterado na indústria é tecnicamente considerado “processado”. Sim, o tomate embalado também é um alimento processado.

O processamento de alimentos é essencial e importantíssimo para todos os produtos alimentícios. Sem ele, não teríamos separadores de grãos, leite pasteurizado, produtos devidamente lavados e embalados e, principalmente, produtos seguros. Essa é a melhor forma de definir o processamento de alimentos.

Mesmo que a crise do abastecimento seja resolvida nos próximos dias, o abastecimento de forma geral deve demorar em torno de uma semana para voltar à normalidade. Mas, graças aos alimentos industrializados, neste período não morreremos de fome.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Dra. Tatiana Pires, Engenheira em Alimentos, mestre e doutora em Ciência dos Alimentos, e Presidente da ABIAD.

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