Diabetes juvenil atinge cerca de 1 milhão no Brasil

Dados reforçam discussão sobre o incentivo de políticas públicas na prevenção e controle da doença  

São Paulo, 3 de outubro de 2018 – Dados da International Diabetes Federation apontam que 14 milhões de pessoas com idade entre 20 a 79 anos são portadores de diabetes no Brasil. Quando falamos em crianças e adolescentes, esse número é de aproximadamente 1 milhão, segundo a Associação de Diabetes Juvenil (ADJ). Estudo realizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) mostra que na década de 90, uma em cada 15 mil crianças tinha a doença. Agora, a dimensão é de uma para cada 8 mil.

O aumento da prevalência do diabetes no Brasil e no mundo, pode estar associado a fatores como a rápida urbanização, transição nutricional, maior frequência de estilo de vida sedentário, maus hábitos alimentares, obesidade, entre outros.

“Quando o assunto é excesso de peso e obesidade, não há como negar que este vem aumentado entre crianças e adolescentes. A alimentação inadequada, a falta de atividade física, o excesso de tempo gasto com jogos eletrônicos e computadores, estão relacionados ao aparecimento de doenças, entre elas o diabetes do tipo 2 (DM2)”, ressalta Kathia F. Schmider, Nutricionista, Especialista em Nutrição em Saúde Pública e Coordenadora Técnica da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais e Congêneres (ABIAD).

Com crescimento em ritmo preocupante e pelo fato do diabetes, quando não tratado adequadamente, estar associado ao aparecimento de outras doenças, como as cardiovasculares, renais, problemas oculares severos, entre outros, são as elevadas taxas de internação e maior utilização do sistema de saúde. Todos esses fatores permitem prever a carga que a doença poderá representar ao sistema de saúde, sobretudo nos países em desenvolvimento. Desta forma, torna-se necessária maior conscientização sobre este importante problema de saúde pública, tanto por parte do governo, profissionais da saúde, sociedade civil e setor privado, objetivando a adoção de políticas públicas amplas e efetivas.

Há de se destacar que tanto o Ministério da Saúde (MS), ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), empresas privadas e as associações relacionadas ao tema, têm investido em projetos relacionados à prevenção, educação e controle da doença, visando a execução de políticas públicas direcionadas no tratamento dos indivíduos com diabetes. A ABIAD, como representante da indústria para o segmento de alimentos especiais, está alinhada a todas as ações, contribuindo ativamente em discussões com ANVISA e MS, na prevenção, consumo e conscientização.

A indústria alimentícia mantém sua preocupação com esse público, e por meio de investimento em pesquisas sobre hábitos de consumo e novas tecnologias, continuam a inovar e disponibilizar no mercado produtos que atendam à legislação vigente em relação à segurança, formulação (sem adição de açúcares, diet, light, etc.), informações no rótulo mais consistentes e de fácil entendimento,  além de oferecer mais opções em produtos para esses indivíduos.

Alimentação segura e de qualidade

O diabetes pode ser de dois tipos: 1 e 2. A doença, quando se manifesta na infância, normalmente é a tipo 1, que pode ser ocasionada por um trauma, estresse, fatores genéticos, obesidade infantil, sendo fatores únicos ou combinados. Já o diabetes do tipo 2, normalmente aparece mais tardiamente e tem grande relação com obesidade e sedentarismo.

Entretanto é importante ressaltar que tanto o adulto como a criança diabética podem ter uma alimentação igual a de qualquer outra pessoa, consumindo pães, massas, frutas, mas sempre em quantidades controladas, com produtos isentos de adição de açúcares, tais como a sacarose (açúcar de mesa), e mel. Paralelo a isso, a prática de atividades físicas deve fazer parte do cotidiano, para o controle de calorias, crescimento saudável e qualidade de vida, sempre sob orientação de nutricionista ou médico.

Produtos que contém edulcorantes em sua composição são uma alternativa segura para os diabéticos, com a redução de calorias e açúcares nos alimentos que consomem.  “A adição de edulcorantes substituindo o açúcar tradicional na preparação de sobremesas ou para adoçar bebidas, tem como objetivo oferecer mais opções para as crianças, que nessa época da vida, participa frequentemente de festas aniversários, eventos escolares, com produtos de aparecia apetitosa e sabor doce”, enfatiza Kathia. 

Números e projeções da diabetes 

  • A Federação Internacional de Diabetes (IDF) estima que até 2035, mais de 500 milhões de pessoas serão diabéticas. A pesquisa ainda revela que 7,8 casos, em cada 100 mil, serão de pessoas com menos de 20 anos.
  • A Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) mostra que o diabetes tipo 1 atinge entre 5% e 10% do total de pessoas no mundo, e aparece, geralmente, na infância ou na adolescência e é autoimune.
  • De acordo com o Ministério da Saúde, a cada cem mil crianças e adolescentes com menos de 15 anos, 7,6 mil novos casos de diabetes tipo 1 são diagnosticados.
  • Estudo da universidade britânica King’s College, em parceria com a Universidade de Gottingen, revelou que os gastos do Brasil com a diabetes foram de R$ 190 bilhões, em 2015. Até 2030, essas despesas podem subir para R$ 406 bilhões, no pior dos cenários avaliados pelo estudo europeu.

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