O monstro silencioso da fome oculta – 9.05.11

2 bilhões de pessoas sofrem do mal no mundo, em países ricos e pobres
Doutora em Ciência de Alimentos, Tatiana Pires adverte para um dos males do século XXI

O mundo está engordando. Recentes pesquisas dão conta que os brasileiros estão cada vez mais obesos por conta da má alimentação. No entanto, apesar de parecerem “bem nutridas”, podem estar sofrendo de um mal cada vez mais frequente no mundo contemporâneo: a FOME OCULTA.

De acordo com a Dra. Tatiana Pires, consultora da Associação Brasileira de Alimentos Para Fins Especiais e Congêneres, ABIAD (www.abiad.org.br), a Fome Oculta, deficiência mundial na dieta de vitaminas e minerais (micronutrientes essenciais), acomete mais de 2 bilhões de pessoas. “Este déficit dietário produz drásticas conseqüências na saúde pública dos países, especialmente em gestantes e crianças, uma vez que prejudicam o crescimento. Este mal, muitas vezes, não é clinicamente evidente e por isso recebe o nome de Fome Oculta”, revela Tatiana.

Segundo a especialista, a maior incidência de Fome Oculta se dá em regiões de poucos recursos onde os alimentos muitas vezes não são seguros para consumo e as pessoas estão mais vulneráveis. “A pobreza, a falta de acesso à uma alimentação adequada e a alta incidência de doenças infecciosas são fatores chaves”, adverte ela.

Não somente a saúde pública é prejudicada com a Fome Oculta. A deficiência pode representar uma importante barreira no crescimento sócio-econômico de um país, assim como na educação e na produtividade. Conforme a opinião da cientista, uma sociedade que sofre de baixa imunidade pode contrair doenças com mais facilidade e reduzindo a capacidade mental e a produção no trabalho.

O combate à Fome Oculta não é de hoje. Este foi o principal tema da Conferência Internacional de Nutrição, realizada em Roma, em 1992, com a presença de 159 países que endossaram esta preocupação num documento, a Declaração Mundial da Nutrição. Naquela ocasião, os participantes se comprometeram a realizar campanhas para eliminar as deficiências de iodo e vitamina A e de outros micronutrientes como o ferro.

Entre as formas mais viáveis de combate à Fome Oculta estão a fortificação de alimentos, a diversificação na dieta, ações de educação nutricional, prática de exercícios regulares, além da suplementação de vitaminas e minerais.

Todavia, não é somente nos países subdesenvolvidos que a Fome Oculta atua. Países com grande oferta de alimentos industrializados também sofrem do mal, como por exemplo, os Estados Unidos. “Nestes casos, a obesidade e a fome oculta afetam a mesma população por conta dos hábitos de consumo – menor tempo de preparo, fast foods, etc. A população tem amplo acesso a alimentos com baixas quantidades de vitaminas e minerais, aumentam de peso e são carentes de micronutrientes”, salienta a especialista.

*Alguns Números Mundiais

•         2 milhões de crianças podem morrer desnecessariamente a cada ano por falta de vitamina A, zinco e outros nutrientes;
•         18 milhões de bebês nascem com algum distúrbio mental a cada ano, devido à deficiência de iodo;
•         A deficiência de ferro prejudica a saúde e energia de 40% das mulheres no mundo em desenvolvimento. A anemia grave mata mais de 50 mil mulheres por ano durante o parto.

Observações da Engenheira de Alimentos quanto aos Micronutrientes

Crianças e adolescentes: consumo de alimentos com baixa densidade de micronutrientes (pão e macarrão), além de consumo irregular de alimentos (sem horário definido para a refeição), e dieta regular (não variada) são as principais causas de fome oculta neste grupo. Isso pode impactar no sistema imunológico, além de afetar o crescimento e desenvolvimento motor e a capacidade mental. Esse grupo deve consumir quantidades adequadas de vitamina A, C, D, do complexo B, assim como cálcio, iodo, ferro e zinco.

Idosos: normalmente não contam com uma dieta balanceada devido ao acesso restrito ou a preferência a determinados grupos de alimentos. A fome oculta promove perda de apetite, alteração na percepção sensorial, problemas digestivos e depressão. Esse grupo deve ser suplementado principalmente com quantidades adequadas de vitamina A, complexo B e vitamina C, bem como vitamina D, devido à baixa mobilidade e exposição solar.

Gestantes e lactantes: existe um aumento dos requerimentos de micronutrientes durante a gestação e aleitamento materno. A suplementação com ácido fólico, vitamina A, B12, D, ferro e cálcio é importante neste período.

SUGESTÃO DE FONTE: TATIANA PIRES
Doutora em Ciência de Alimentos

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