Alimento funcional a partir das cascas e sementes de uva

Cascas e sementes de uvas do tipo bordô podem se tornar um pigmento natural para aplicações na indústria farmacêutica, de alimentação e de produtos para beleza. A conclusão é de um estudo realizado em Pirassununga, na Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da Universidade de São Paulo, pelo engenheiro de alimentos Volnei Brito de Souza. No estudo, que foi orientado pela professora Carmem Sílvia Fávaro Trindade, o engenheiro trabalhou com rejeitos das cascas e das sementes de uvas usadas na fabricação de vinho, transformando-as em um produto (pó colorido) com propriedades funcionais – de acordo com o engenheiro, o pigmento colorido atua como antioxidante, sendo capaz de reduzir atividades de bactérias e inibir uma enzima relacionada à da leishmaniose. No caso das bactérias, nos testes in-vitro o produto mostrou ser capaz de evitar o crescimento da Staphylococcus aureus e da Listeria monocytogenes, microrganismos relacionados às infecções alimentares, explicou o engenheiro.

“Essa atividade antimicrobiana pode ser aproveitada, por exemplo, para inibir o crescimento de bactérias em diferentes produtos alimentícios”, esclareceu Souza, acrescentando que o pigmento poderia, por exemplo, substituir corantes sintéticos. “O pigmento é natural, solúvel em água, não tem gosto e remete à uva por causa da cor roxa. Pode ser empregado em bebidas, iogurtes e cosméticos, entre outros”, cogitou. Com relação à leishmaniose , o engenheiro acredita que ele poderia ser testado na produção de algum remédio para tratar a doença, uma vez que mostrou-se altamente capaz de inibir a atividade da arginase, enzima associada ao metabolismo e à reprodução do protozoário causador da doença.

Com informações da Agência USP de Notícias – 9.5.14

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