Desnutrição alcança até 60% dos pacientes internados

Lançada em junho deste ano, na revista especializada Clinical Nutrition, uma revisão de estudos aponta que, de 40% a 60% de pacientes que foram internados em hospitais da América Latina, encontram-se desnutridos.

Para a revisão foram utilizadas 66 pesquisas de 12 países, a maior parte delas brasileira, e 29.474 pacientes.

Líder da revisão, a médica especialista em nutrição da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Maria Isabel Correia alertou que, “o paciente chega ao hospital para tratar a doença principal, mas dificilmente o estado nutricional faz parte do diagnóstico”. Para ela, se o paciente perder peso sem querer ou mudou a forma de se alimentar, são formas para se diagnosticar o quadro nutricional.

Diante desse cenário, o Ministério da Saúde lançou este ano um Manual de Terapia Nutricional que recomenda que, “pacientes admitidos na unidade de internação hospitalar recebam a atenção da equipe responsável pela nutrição”.

A terapia nutricional compreende: triagem, avaliação dos pacientes em risco, cálculo das necessidades nutricionais, indicação de terapia e monitoramento. Pacientes com risco ou que já estejam desnutridos, devem ter a alimentação fortificada e, se for o caso, podem receber nutrição enteral (por tubos no nariz) ou parenteral (pela veia).

Na revisão, um dos estudos analisados revela que uma pessoa com alto grau de desnutrição tem três vezes mais chances de morrer, enquanto pessoas com grau médio de desnutrição têm 4,1% mais chances de morte.  Naqueles com alto grau de desnutrição, as chances de morte sobem para 12,8%. Na opinião de Maria Isabel, “há uma dissociação entre o que é recomendado pelas diretrizes e o que é praticado”.

A revisão também aponta que há uma relação entre o tempo de internação e a evolução da desnutrição. Entre as causas apontadas estão a não aceitação da dieta hospitalar, a própria doença ou o jejuns para a realização de exames.

Maria Isabel afirma que há um consenso internacional de que 50% das pessoas internadas estão desnutridas.

De acordo com o Ministério da Saúde, no Brasil, as ações relacionadas à terapia nutricional no Sistema Único de Saúde (SUS) receberam um aporte de 59% maior entre 2010 e 2015. No ano passado, R$ 92,77 milhões foram aplicados na área. A pasta informou ainda, que tenta fortalecer a terapia nutricional por meio da elaboração de materiais e realização de cursos de capacitação de profissionais que integram as Equipes Multiprofissionais de Terapia Nutricional (EMTN).

Com informações da Folha de São Paulo – 12.9.16

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