Doçura prolongada

Prolongar a sensação de doçura nas gomas de mascar recorrendo à microencapsulação de adoçantes de baixos valores energéticos foi a experiência desenvolvida, com sucesso, pela pesquisadora Gláucia Aguiar Rocha Selmi, no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Alimentos e Nutrição da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Universidade de Campinas (Unicamp). Segundo o relato da pesquisadora, as gomas de mascar obtidas com a técnica tiveram a sensação de doçura prolongada em até duas vezes comparada à das amostras fabricadas convencionalmente com edulcorantes na forma livre. O estudo envolveu a realização de testes com 120 pessoas – eles comprovaram a aceitação das gomas de mascar elaboradas pelo método formulado na Unicamp.

A comparação entre as gomas com adoçantes encapsulados e as não encapsulados utilizou a mesma quantidade dos edulcorantes sucralose e esteviosídeo. Conforme observou a pesquisadora, a microencapsulação vem sendo bastante utilizada na área de alimentos nos últimos anos em todo o mundo. “A finalidade é resolver muitos problemas da indústria de cosméticos, farmacêutica e alimentícia. A encapsulação pode prolongar a doçura, mas também mascarar sabores desagradáveis, facilitar a incorporação nos produtos ou mesmo reduzir a volatilidade e a reatividade. É um assunto que desperta muito interesse da indústria”, comentou Gláucia.

A pesquisadora observou que as gomas de mascar são populares e apreciadas em praticamente todos os países e, mais recentemente, têm sido relacionadas à higiene oral e alternativa ao hábito de fumar. ”Muitos destes produtos são elaborados sem sacarose, justamente com a intenção de reduzir seu valor energético”, destacou. Gláucia acredita que estudos posteriores poderiam prolongar ainda mais o tempo de sensação doce das gomas de mascar. “Esse foi um primeiro estudo, até porque, praticamente não encontramos investigações científicas com este foco. Portanto, é possível tentar em pesquisas posteriores prolongar este tempo. Estudamos cada edulcorante separado e, possivelmente, uma mistura de edulcorantes poderia trazer resultados ainda melhores porque há um sinergismo entre eles. Neste primeiro estudo queríamos analisar o comportamento individual deles. A expectativa é que numa próxima etapa, fazendo uma mistura, consigamos um resultado ainda melhor”, ela prevê.

Com informações do Jornal da Unicamp – 23.6 a 3.8.14

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