Nível de CO2 pode afetar valor nutricional de cereais

A contínua elevação da concentração do dióxido de carbono (CO2) nas cidades e campos poderá afetar o valor nutricional de alguns cereais, de acordo com um estudo publicado na edição de 8 de maio da revista Nature. O artigo avalia que a nível crescente de CO2 possa afetar o valor nutricional de alimentos como arroz e trigo – seus autores recomendam que os agricultores (e governos) se preocupem em reduzir a vulnerabilidade desses alimentos às emissões de carbono. Os autores informam que para chegar à conclusão, eles testaram 41 cepas de seis cultivos plantados em campos abertos em diferentes locais da Austrália, Japão e Estados Unidos, onde as plantas se encontravam expostas a altos níveis de CO2, que era liberado por gasodutos horizontais. Ou seja, havia taxa mais alta de partículas de CO2 que no ar normal. Os cientistas constataram então, que os níveis de zinco, ferro e concentrações de proteínas nos cultivos de trigo desses locais eram 9,3%, 5,1% e 6,3% menores comparados com o trigo cultivado em condições normais.

No arroz, os níveis de zinco, ferro e proteína apresentaram queda de 3,3%, 5,2% e 7,8%, embora as cifras variem muito de acordo com as diferentes cepas testadas. Outras quedas foram observadas no zinco e no ferro em campos de cultivo de ervilha e soja, mas houve poucas mudanças em seus níveis proteicos. Em contraste, o impacto do CO2 mais alto no milho e no sorgo foi relativamente menor. “O estudo é o primeiro a desvendar a seguinte questão, se as concentrações crescentes de CO2, que têm aumentado firmemente desde a Revolução Industrial, ameaçam a nutrição humana”, afirmou Samuel Myers, cientista de saúde ambiental da Escola de Saúde Pública de Harvard. “A humanidade está fazendo uma experiência global ao alterar as condições ambientais no único planeta habitável que conhecemos. À medida que esta experiência se desenvolver, sem dúvida haverá muitas surpresas”, avaliou. De acordo com o estudo, atualmente cerca de dois bilhões de pessoas apresentam deficiências de zinco e ferro, substâncias que podem, respectivamente, comprometer o funcionamento do sistema imunológico e provocar anemia.

Com informações do G1.globo.com – 8.5.14

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