Pandemia ampliou mercado de novos leitos e insumos hospitalares

Dia 25 fevereiro foi o marco inicial da COVID-19 no Brasil, quando o Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, diagnosticou o primeiro caso no país. De lá para cá, o cenário geral é conhecido e mudou a vida de todas as pessoas, empresas e poder público.

Analisando do ponto de vista de negócios, é inegável que a pandemia esfriou a economia nacional e mundial de forma generalizada, mas, como em quase todas as situações de crise, alguns setores encontram oportunidades.

Como citado em texto da última edição do Panorama ABIAD – Resultados de março apontam crescimento nas vendas de alimentos para fins especiais, o mercado de alimentos enterais teve crescimento desde o início do isolamento social, pela elevada utilização dos leitos de UTI e uso de respiradores pelos pacientes. Segundo a Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB), 80% dos pacientes contaminados com COVID-19 não precisam de internação e dos 20% que ficam internados, cerca de 6% precisam de terapia intensiva.

Considerando que a Organização Mundial da Saúde – OMS, recomenda de 1 a 3 leitos de UTI para cada 10 mil habitantes e que o SUS contava com 1,1 leito / 10 mil habitantes, já se verifica aqui uma situação que exigiu investimentos urgentes, dada a falta de margem de segurança para um caso como o dessa pandemia.

Os maiores empecilhos do sistema para o combate são leitos de baixa, média e alta complexidades, equipamentos de proteção individual e testes de diagnóstico para COVID-19. Pelo que se tem notícia, até o final de abril quase 600 novos leitos de UTI foram abertos no Brasil, sendo 400 deles por recursos próprios de plano de saúde, 60 por doação de empresa e os demais por investimento público. Ao mesmo tempo, mais de 8.000 leitos de baixa e média complexidade foram entregues, junto a quase 15.000 respiradores, sendo que uma minoria está em hospitais de campanha, o que significa que haverá um importante legado para os sistemas de saúde público e privado no país.

Há ainda um enorme mercado de produtos descartáveis e consumíveis, como EPIs, medicamentos, alimentos especiais, álcool 70% e testes para diagnóstico da doença (estão previstos mais de 46 milhões em todo o Brasil).

Isso ainda sem considerar a fabricação da vacina contra a COVID-19, com diversas empresas e instituições em fase de pesquisas ao redor do mundo.

“Num momento tão crítico como o que estamos passando, a responsabilidade do setor e dos seus representantes aumenta, uma vez que, dentro do universo de pacientes com COVID-19 em UTI, todos recebem nutrição enteral, e por isso as ações para manter a demanda de produtos aos hospitais é fundamental”, afirma Gislene Cardozo, Diretora Executiva da ABIAD.

A maior parte dos recursos extras é oriundo, sem sombra de dúvida, do poder público, sendo que em um único mês, o Ministério da Saúde transferiu R$ 4,917 bilhões a estados e municípios para o combate à pandemia por meio de transferências diretas. Ainda o mesmo ministério lançou edital de chamamento público para credenciamento de empresas que possam vender insumos e equipamentos usados na rede pública de saúde para o enfrentamento ao novo Coronavírus. Diante dessa iniciativa, o Ministério da Saúde reunirá, em um único banco de dados, potenciais fornecedores de produtos diante da emergência em saúde pública.

Outra frente de oportunidades tem sido, mesmo que provisoriamente, para profissionais de saúde, como médicos, enfermeiros e fisioterapeutas; ou mesmo os envolvidos na construção dos hospitais de campanha.

Aparentemente, nos próximos meses, mesmo com a redução dos novos casos de COVID-19, diversos produtos e serviços relacionados à saúde – prevenção, diagnóstico e tratamento – devem se manter aquecidos, como já foi mencionado pela Dra. Tatiana Pires, Presidente da ABIAD, em artigo “A hora e a vez dos segmentos alimentares.

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