Suplementação proteica, vitamínica e mineral em casos de COVID-19

Na literatura atual, as publicações referentes à nutrição em COVID-19 recomendam que o estado nutricional seja avaliado em todos os pacientes infectados na admissão hospitalar1,2 e todos os pacientes em risco nutricional devem receber apoio nutricional o mais cedo possível, monitorizando e priorizando a ingestão de calorias e proteínas e, caso seja necessário, utilizar intervenções nutricionais com suplementos orais, nutrição enteral e/ou nutrição parenteral 1. Alguns protocolos sugerem que mesmo os pacientes com COVID-19, que não correm risco de desnutrição, devam manter ingestão adequada de proteínas (1,5 g /Kg/d) e calorias (25-30 kcal/Kg/d) e que várias vitaminas e nutrientes podem ter o potencial de beneficiar pacientes infectados devido à sua ação anti-inflamatória e propriedades antioxidantes 3,4.

Em geral, baixos níveis ou ingestão de micronutrientes, como vitaminas A, E, B6 e B12, zinco e selênio foram associados a desfechos clínicos adversos durante infecções virais5. Em pacientes com COVID-19, embora seja importante prevenir e tratar deficiências de micronutrientes, não há evidências estabelecidas de que o uso empírico e rotineiro de quantidades suprafisiológicas ou supraterapêuticas de micronutrientes possam prevenir ou melhorar os resultados clínicos. Com base nas considerações citadas acima, a diretriz ESPEN para COVID-19 sugere que seja garantido o fornecimento diário de vitaminas e oligoelementos a pacientes desnutridos em risco para ou com COVID-19, visando maximizar a defesa nutricional geral anti-infecção2.

Caccialanza e cols elaboraram e publicaram um protocolo de suplementação nutricional precoce em pacientes hospitalizados com COVID-19, uma vez que quase todos os pacientes presentes na admissão hospitalar tem quadros de inflamação grave e anorexia, levando a uma grande redução na ingestão de alimentos, e que uma porcentagem substancial deles desenvolve insuficiência respiratória com necessidade de modos de ventilação não invasiva (VNI) que podem durar alguns dias. O protocolo de suplementação nutricional precoce é resumido na Figura 1.4

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Considerando que um  número significativo de pacientes relatam graves dificuldades alimentares como consequência dos sintomas, os autores optaram por simplificar a triagem de risco nutricional e avaliar alguns marcadores bioquímicos e iniciar suplementação sistemática de proteínas de soro de leite oral (20 g / d) associado a um multivitamínico intravenoso à admissão hospitalar em todos os pacientes. A escolha por suplementar proteínas de soro de leite é baseada em suas propriedades anabólicas e antioxidantes associada à sua alta digestibilidade. Se o risco nutricional for detectado pelo procedimento de triagem simplificado, inicia-se então 2 a 3 frascos de suplemento nutricional oral (600 -900 kcal/d; 35-55 g/d de proteínas), a serem consumidos entre ou imediatamente após as refeições4.

A instituição de um protocolo de suplementação já à admissão hospitalar foi justificada pelos autores a partir do reconhecimento de que a subnutrição em pacientes hospitalizados por COVID-19 é multifatorial. Devido à emergência do cenário atual e o número constantemente crescente de pacientes, com sobrecarga dos profissionais de saúde, é possível que o controle da ingestão nutricional seja prejudicado, além disso, a restrição de visitas e acompanhantes a esses pacientes também é fator que restringe as informações adequadas sobre a ingestão nutricional. Portanto, o monitoramento preciso da ingestão de alimentos pode ser extremamente difícil, o que justifica uma abordagem direta e imediatamente à internação hospitalar.4

Durante esse momento de pandemia é importante ressaltar que todos os esforços devem ser feitos para tentar evitar ou, pelo menos limitar a subnutrição, mesmo que isso signifique lutar contra dificuldades objetivas e muitas vezes intransponíveis. A intervenção e a terapia nutricionais precisam ser consideradas como parte integrante da abordagem de pacientes vítimas de infecção por COVID-19, seja no ambiente da UTI, na enfermaria de medicina interna, ou mesmo em tratamento domiciliar. Em cada etapa do tratamento, a terapia nutricional deve fazer parte do atendimento ao paciente e os suplementos nutricionais orais devem ser usados ​​sempre que possível para atender às necessidades do paciente.

Valeria Abrahão S Rosenfeld, MD MBA

Medical Relations Manager

Nestlé – LATAM Region

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

  1. Barazzoni R, Bischoff SC, Krznaric Z, Pirlich M, Singer P, endorsed by the ESPEN Council. Espen expert statements and practical guidance for nutritional management of individuals with sars-cov-2 infection. Clinical Nutrition published online: March 31, 2020. Accessed on line by April, 19th, 2020.
  2. Campos LF, Barreto P, Ceniccola GD, Gonçalves RC, Matos LBN, Zambelli CMSF, Castro MG. Parecer BRASPEN/AMIB para o enfrentamento do COVID-19 em pacientes hospitalizados. Braspen J 2020; 35(Supple 1): 3-5.
  3. Zhang L, Liu Y. Potential interventions for novel coronavirus in China: a systematic review. J Med Virol 2020;92:479–90 H
  4. Caccialanza R, Laviano A, Lobascio F, Montagna E, Bruno R, Ludovisi S, Corsico AG et al. Early nutritional supplementation in non-critically ill patients hospitalized for the 2019 novel coronavirus disease (COVID-19): Rationale and feasibility of a shared pragmatic protocol. Nutrition 2020. Apr 3:110835. doi: 10.1016/j.nut.2020.110835. Epub ahead of print I
  5. Evans P, Halliwell B. Micronutrients: oxidant/antioxidant status. Br J Nutr 2001; 85: S67-74.

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