Busca por saúde impulsiona vendas de alimentos naturais e de suplementos, apontam empresas (Antonio Milena/EXAME/Divulgação)

Produtos orgânicos em supermercado

Com mais pessoas procurando por alimentos naturais, pequenas empresas que já atuavam nesse setor tiveram resultados expressivos em vendas – principalmente nas plataformas digitais. Uma delas é a Superbom, especializada no setor. Durante a pandemia, a empresa firmou parcerias com os marketplaces do Magazine Luiza e do Mercado Livre e teve aumento expressivo na venda de mel, que aumentou 45% em relação ao mesmo período do ano passado.

A empresa tem produtos comercializados por 25 mil pontos de venda em todo o país, com uma ampla gama de produtos para veganos e vegetarianos. Ao todo, a empresa cresceu 6% em vendas realizadas durante a pandemia, na comparação com o mesmo período de 2019.

“Cada vez mais, as pessoas entendem a importância de priorizar a saúde para uma boa qualidade de vida, usando a alimentação como um meio para isso. Cresce ano após ano a busca por alimentos mais naturais e que tragam benéficos à saúde, junto às compras por plataformas virtuais, por sua comodidade e segurança”, explica David Oliveira, diretor da Superbom.

Pensando em aproveitar ao máximo esse potencial, a Bio Mundo, rede de franquias de produtos naturais e saudáveis, também investiu nas plataformas digitais e colheu bons resultados durante a pandemia: a empresa aumentou em 85% as vendas de produtos naturais que colaboram para o sistema imunológico. Entre eles, o destaque campeão foi o própolis, que teve crescimento de 835% na plataforma da companhia.

Com bons resultados em meio a um ano de crise, a empresa estabelece metas agressivas de crescimento: faturou R$ 135 milhões em 2019 e planeja mais do que quadruplicar esse valor até 2024, ao atingir a marca de R$ 580 milhões, com operação em todo o país.

Um passo além das frutas, verduras e legumes

Na busca por saúde, muitos brasileiros foram além do consumo de alimentos naturais e passaram a consumir vitaminas e outros compostos para fortalecer o organismo – o que fez esse mercado também ficar aquecido. De cordo com dados da Associação Brasileira da Indústria brasileiros também buscaram reforço para a imunidade em suplementos alimentares.

Para ter uma ideia desse crescimento, uma pesquisa conduzida pela Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais (ABIAD) mostrou que 48% dos consumidores de suplementos aumentaram o consumo desses produtos durante a quarentena e, destes, 70% afirmam que vão continuar consumindo definitivamente os novos produtos. Em geral, 91% dos entrevistados afirmaram que o consumo de suplementos está ligado às preocupações com a imunidade.

Com foco em conquistar esse mercado, a +Mu (Mais Mu) aposta em suas redes sociais para se comunicar com consumidores – e impulsionar vendas. A busca generalizada por saúde e a estratégia de marketing da companhia renderam um crescimento de 50% na pandemia, em relação ao mesmo período do ano passado.

Os produtos da empresa miram quem quer adotar uma rotina “fitness”, consumindo produtos com Whey Protein, deixando de lado o estigma antigo que esse hábito carregava. “Antigamente, as pessoas tinham que lutar contra estereótipos dos suplementos e convencer a família de que estava tudo bem ao consumirem aquele pote gigante de whey”, comenta Otto Guarnieri, sócio da empresa.

Até mesmo empresas que não têm o comércio de suplementos como objetivo essencial conseguiram obter resultados de destaque em meio à pandemia. Um exemplo é a Amakha Paris, de beleza e bem-estar, que viu a linha de nutracêuticos (suplementos que são usados para suprir necessidades do organismo, como vitaminas, minerais e fibras) crescer 52% ao mês desde abril.

“A mudança fez com que essa categoria se tornasse uma das três mais notáveis em faturamento da empresa”, afirma Denise Bortoletto, presidente da empresa.

Trata-se de um mercado com potencial ainda a ser explorado, mas sobre o qual o câmbio exerce um papel fundamental – que provoca incerteza em relação à expansão nos próximos anos. De acordo com a ABIAD, como a maior parte dos componentes utilizados para fabricar esses produtos vem de fora do país, a expansão do setor não deve caminhar tão rápido nos próximos anos.

“Esperamos a recomposição total da renda de famílias das classes A e B, que são as principais responsáveis por esse consumo, se estabilizar, para conseguir dizer de forma mais clara os rumos futuros do setor. Por ora, sabemos que há uma forte demanda, mas ao mesmo tempo, muitas empresas enfrentarão dificuldades com o dólar tão alto”, explica Gislene Cardozo, diretora-executiva da ABIAD.

Se a demanda vai provocar um boom certeiro dessas empresas no futuro pós-pandemia, ainda não é possível dizer. Mas, em 2020, uma coisa é certa: quem conseguiu investir em saúde e tecnologia ainda colhe bons resultados.

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