Entrevista com Carla Muniz de Miranda, Diretora Técnica da CIMED - Abiad

Entrevista com Carla Muniz de Miranda, Diretora Técnica da CIMED

28 de setembro de 2026

1. Quais são, na sua visão, os principais desafios e oportunidades do mercado brasileiro de multivitamínicos?

O mercado brasileiro de multivitamínicos vive um momento extremamente positivo, impulsionado por uma população cada vez mais preocupada com prevenção, bem-estar e qualidade de vida. Ao mesmo tempo, observamos oportunidades relevantes decorrentes da expansão do mercado de suplementos e da crescente conscientização sobre a importância dos micronutrientes para a saúde.

Outro fator que merece atenção é o avanço dos tratamentos para obesidade e diabetes com agonistas de GLP-1, as chamadas “canetas emagrecedoras”. Esse movimento amplia o debate sobre suporte nutricional e reforça a importância da avaliação adequada das necessidades de vitaminas e minerais em diferentes perfis de consumidores.

Do lado dos desafios, a modernização regulatória poderá impor um novo padrão de qualidade e conformidade para o setor. Embora exija investimentos das empresas, esse cenário também contribui para fortalecer a credibilidade do mercado, valorizar empresas comprometidas com boas práticas e aumentar a confiança dos consumidores.

2. Quando falamos de democratização do acesso aos multivitamínicos, o que isso representa na prática?

Democratizar o acesso significa garantir que mais brasileiros possam se beneficiar de produtos seguros, eficazes e de qualidade, independentemente de sua condição socioeconômica.

Na prática, isso envolve tornar os multivitamínicos acessíveis por meio de preços adequados, ampla disponibilidade nos diferentes canais de venda e formulações alinhadas às necessidades reais da população. Também depende de um ambiente regulatório que preserve a segurança dos produtos sem criar barreiras desproporcionais ao acesso.

É importante destacar que democratização não significa incentivar o consumo indiscriminado. Pelo contrário: trata-se de ampliar o acesso a soluções nutricionais responsáveis, que complementem hábitos saudáveis e possam contribuir para o bem-estar da população.

3. Como ampliar o acesso da população a informações confiáveis sobre vitaminas e minerais?

Ampliar o acesso a informações confiáveis passa por três pilares: transparência regulatória, educação do consumidor e combate à desinformação.

Nesse contexto, o novo marco regulatório dos suplementos alimentares representa um avanço importante para o setor. Além de estabelecer requisitos mais robustos para regularização dos produtos, as novas regras reforçam a rastreabilidade, a responsabilidade dos fabricantes e a padronização das informações disponibilizadas ao consumidor. Com isso, o mercado ganha mais previsibilidade, enquanto a população passa a ter maior segurança sobre a qualidade e a conformidade dos produtos disponíveis.

Ao mesmo tempo, é fundamental traduzir informações técnicas para uma linguagem clara e acessível. O consumidor precisa compreender não apenas o que são vitaminas e minerais, mas também qual é o papel desses nutrientes, quando a suplementação pode ser necessária e quais são os limites de atuação desses produtos.

Outro desafio é o crescimento da desinformação nos ambientes digitais, muitas vezes associado a promessas de resultados rápidos ou alegações sem respaldo científico. Por isso, a atuação conjunta da indústria, das autoridades sanitárias, dos profissionais de saúde e de entidades como a ABIAD é essencial para promover conteúdos baseados em evidências, fortalecer a confiança do consumidor e valorizar as empresas que atuam de forma ética e alinhada à legislação.

NOTA: Quando falamos do novo marco regulatório dos suplementos alimentares, temos ao menos 4 atos relacionados, como por exemplo a RDC nº 843/2024, a IN nº 281/2024, a RDC nº 990/2025 e a RDC nº 983/2025.

4. Qual é a importância da orientação de médicos, nutricionistas e outros profissionais de saúde na escolha de vitaminas e minerais?

A orientação de profissionais de saúde é fundamental para garantir que a suplementação seja adequada às necessidades de cada indivíduo. Embora vitaminas e minerais façam parte da rotina de milhões de brasileiros, diferentes fases da vida, condições clínicas, hábitos alimentares e até tratamentos medicamentosos podem influenciar as necessidades nutricionais de cada pessoa.

Nesse contexto, médicos, nutricionistas e farmacêuticos desempenham um papel importante ao ajudar na identificação de possíveis carências nutricionais, orientar escolhas mais adequadas e promover o uso responsável dos suplementos. Especialmente diante do crescimento de tratamentos que podem impactar o estado nutricional, como as terapias para controle de peso, o acompanhamento profissional contribui para aliar segurança, efetividade e bem-estar ao consumidor.