Entrevista com Jordan Rizetto, vice-presidente de marketing da Herbalife para as Américas Central e do Sul - Abiad

Entrevista com Jordan Rizetto, vice-presidente de marketing da Herbalife para as Américas Central e do Sul

28 de agosto de 2026

1. O consumidor de proteína mudou? Como você enxerga as transformações ao longo dos anos no Brasil?

Sem dúvida. Há alguns anos, a proteína era vista principalmente como um nutriente voltado para atletas e praticantes de musculação. Hoje, o consumidor brasileiro compreende que ela desempenha um papel muito mais amplo, importante em diferentes fases da vida e para diversos objetivos, não apenas para a manutenção da massa muscular, mas também para o envelhecimento saudável, controle do apetite, recuperação física e bem-estar geral.

Essa mudança foi impulsionada pelo maior acesso à informação e por uma visão mais ampla sobre saúde preventiva. O consumidor passou a olhar menos para soluções pontuais e mais para a qualidade da alimentação como um todo. Nesse contexto, cresce a busca por produtos que aliem conveniência, sabor e um perfil nutricional equilibrado.

2. Como você vê o Brasil no contexto do mercado de proteínas? Quais são as especificidades do consumidor brasileiro?

O Brasil é um dos mercados mais dinâmicos quando falamos em nutrição e proteínas. Existe uma cultura muito forte de valorização da alimentação, da prática de atividade física e do cuidado com a saúde, fatores que impulsionam a demanda por alimentos e suplementos proteicos.

Esse movimento também se reflete no comportamento do consumidor. Segundo dados da Mintel, 72% dos brasileiros afirmam considerar a quantidade de proteína ao escolher alimentos e bebidas, enquanto 22% relatam ter aumentado o consumo. Esses dados mostram que a proteína deixou de ser um atributo valorizado apenas por atletas e passou a fazer parte das decisões de compra de um público muito mais amplo.

Ao mesmo tempo, o consumidor brasileiro é bastante criterioso. Ele busca produtos de qualidade, mas também avalia sabor, praticidade, custo-benefício, confiança na marca e respaldo científico. É um público cada vez mais informado, que lê rótulos, pesquisa ingredientes e procura entender os benefícios reais dos produtos antes de decidir pela compra. Ainda de acordo com a Mintel, o consumidor continua valorizando a proteína, mas adapta suas escolhas conforme a rotina e o orçamento, priorizando produtos que conciliem conveniência, qualidade nutricional e benefícios claros.

Outro aspecto interessante é que o consumo de proteínas vem se expandindo para diferentes públicos, incluindo adultos que desejam envelhecer com mais qualidade de vida, pessoas com rotinas intensas e consumidores que buscam refeições mais equilibradas e nutritivas. Essa tendência acompanha a percepção de que a proteína desempenha um papel fundamental não apenas na manutenção da massa muscular, mas também na promoção da saciedade, da funcionalidade e do bem-estar ao longo da vida.

No entanto, segundo levantamento da Mintel, são os Baby Boomers os mais interessados em proteínas, buscando benefícios relacionados à manutenção da massa muscular, à mobilidade e ao envelhecimento saudável. À medida que a população brasileira envelhece, a demanda por produtos que atendam a essas necessidades tende a ganhar ainda mais relevância.

3. A proteína deixou de ser exclusividade dos suplementos e passou a aparecer em sorvetes, snacks, bebidas e até cervejas. Qual é a sua opinião sobre esse cenário?

Vejo esse movimento de forma bastante positiva. Ele mostra que a proteína deixou de ser um ingrediente de nicho e passou a ocupar um espaço relevante na alimentação cotidiana. Essa diversificação das categorias amplia as possibilidades de consumo e torna a proteína mais acessível em diferentes momentos do dia, contribuindo para que o consumidor possa atingir seu objetivo de bem-estar.

Isso também abre espaço para soluções que atendam a públicos com necessidades muito específicas, como pessoas que fazem uso de medicamentos injetáveis para perda de peso e que, por reduzirem drasticamente a ingestão alimentar, precisam de formas práticas e palatáveis de manter a ingestão adequada de proteínas. É um exemplo de como a inovação no setor vai além da performance esportiva e passa a dialogar com contextos clínicos e de saúde mais amplos.

     4. Olhando para os próximos anos, quais tendências você identifica como mais relevantes para o mercado de proteínas no Brasil?

Acredito que veremos a consolidação de algumas tendências importantes. A primeira é a personalização da nutrição, com produtos desenvolvidos sob medida para as necessidades específicas de diferentes perfis de consumidores, considerando idade, estilo de vida, marcadores biológicos e objetivos de saúde.

Outra tendência é a valorização crescente da qualidade da proteína, e não apenas da quantidade. O consumidor está cada vez mais atento à origem dos ingredientes, ao perfil nutricional, à segurança, à rastreabilidade e às evidências científicas que sustentam os benefícios dos produtos.

Também veremos uma integração cada vez maior entre conveniência e nutrição. As pessoas querem soluções que se adaptem às suas rotinas sem renunciar ao valor nutricional. Isso impulsiona a inovação em formatos, sabores e aplicações. O estudo da Mintel de 2026 reforça essa tendência ao mostrar que a praticidade é um dos principais fatores que influenciam as escolhas alimentares, refletindo a busca por produtos que economizem tempo e se encaixem facilmente no dia a dia — algo que está no DNA dos produtos Herbalife.

À medida que o consumidor amplia seu conhecimento, ele também passa a fazer escolhas mais conscientes e a valorizar empresas comprometidas com transparência, inovação e rigor científico em toda a cadeia de desenvolvimento de seus produtos.