Entrevista com Luis Madi, do Ital, sobre o Projeto Alimentos Industrializados 2030

Luis Madi, diretor de Assuntos Institucionais do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, conversou com o Panorama ABIAD para contar um pouco sobre o Instituto e o Projeto Alimentos Industrializados 2030.

PANORAMA – Qual a origem do Projeto Alimentos Industrializados 2030?

LUIS – Acho mais fácil eu fazer uma breve contextualização. Em 1999, eu era coordenador do Centro de Embalagem do Ital e, na ocasião, lançamos o projeto Brasil Pack Trends 2005. Foi a primeira iniciativa do Instituto sobre tendências.

Em 1999, me tornei diretor geral do Ital e, em 2008, utilizamos a experiência do Pack Trends para fazer em Food. Fizemos esse lançamento do Brasil Food Trends 2020 em maio de 2010 na Fiesp, o que chamou muita a atenção, pois trouxemos as principais macro tendências da época. Foi muito positivo para o mercado e para o Ital.

Criamos então a Plataforma de Inovação Tecnológica do Ital para desenvolver estudos de tendências, como o Ingredients Trends, o melhor e maior documento no Brasil sobre tendências de ingredientes para o setor de alimentos e bebidas. Mostramos como os ingredientes são estratégicos e inovadores no processo.

Em novembro de 2014 foi publicado o Guia Alimentar para a População Brasileira, documento do Ministério da Saúde que classificou os alimentos em in natura ou minimamente processados, óleos, gorduras, sal e açúcares, alimentos processados e ultraprocessados, sendo que é recomendado ter cuidado com os processados e evitar os ultraprocessados.

Por causa disso, mudamos a rota e, em 2015, focamos no projeto Brasil Processed Food, para mostrar à sociedade brasileira a importância do alimento industrializado na sua nutrição.

PANORAMA – Hoje o projeto se chama Alimentos Industrializados 2030, e não “processed”. Por quê?

LUIS – Em 2015, começamos a trabalhar com alimentos processados, mas, com o tempo, mudamos para industrializados porque a sociedade entende melhor esse termo. Criamos o projeto Alimentos Industrializados 2030 em janeiro de 2019. Nesse projeto, produzimos a série de publicações sobre como são produzidos os alimentos industrializados – sobre seu valor nutricional (já publicamos: pães, iogurtes, sucos, biscoitos, sorvetes, pizzas e hamburgers).

Esse movimento é para melhor informar a sociedade que deve consumir estes produtos, bem como seus valores nutricionais e seus mitos e fatos.

PANORAMA – Qual o estágio do Projeto atualmente?

LUIS – Entre 2021 e 2022 temos três prioridades estratégicas:

  1. A continuidade desses trabalhos acima mencionados. Estamos elaborando agora massas alimentícias industrializadas, bolos industrializados e chocolates industrializados que estarão disponibilizados entre junho e julho de 2021.
  2. Atualização do documento “A Indústria de Alimentos 2030”, lançado em março de 2020, com atividades das 17 empresas quanto à melhoria do perfil nutricional do alimento, sustentabilidade de produção e transparência na comunicação. Pretendemos lançá-lo em dezembro de 2021 com 30 empresas e com dados mais recentes, incluindo as indústrias de ingredientes.
  3. Elaboração de uma melhor terminologia sobre os alimentos em substituição à classificação NOVA que confunde o consumidor denominando de “ultraprocessado” quase a totalidade dos alimentos industrializados e não mostrando a importância nutricional desses produtos. Este é o item mais estratégico do Projeto.

 

PANORAMA – Existe uma grande preocupação com a segurança do consumidor, correto?

LUIS – Sem dúvida. Existe uma grande preocupação e uma total falta de conhecimento e informação de como são produzidos estes alimentos. Neste contexto estamos iniciando o Projeto Ital Food Safety 2030, onde vamos analisar as diferentes etapas do processamento, distribuição e consumo dos alimentos industrializados com foco na segurança dos produtos. Será um documento na linha do Brasil Food Trends 2020, neste caso visando 2030, dos principais aspectos da segurança dos alimentos industrializados no futuro.

Estamos também introduzindo uma Plataforma de Conhecimento e uma Campanha para melhor informar o consumidor da segurança dos alimentos que eles consomem.

PANORAMA – Como a indústria pode colaborar mais com o Ital nessa frente?

LUIS – De várias formas e sempre no processo interativo visando a melhoria na comunicação com o consumidor.

O Ital tem trabalhado nesses últimos anos elaborando documentos técnicos sobre tendências, sobre o valor nutricional dos alimentos industrializados, ações para uma melhor sustentabilidade na produção e distribuição dos produtos e principalmente alertar o consumidor que não existe alimento ‘ultraprocessado’.

Esta terminologia confunde o consumidor, o que é muito ruim. Somos uma Instituição de ciência e tecnologia de alimentos cuja missão é realizar projetos em benefício do consumidor e da sociedade e que pertence a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

Ainda não somos especializados em comunicação junto ao consumidor, portanto precisamos das entidades setoriais, das empresas e da mídia para uma maior divulgação desses trabalhos, lembrando que todos os trabalhos estão, gratuitamente, no site: www.ital.agricultura.sp.gov.br/pitec.

PANORAMA – E os demais públicos, são bem esclarecidos sobre essas questões?

LUIS – Esclarecidos creio que sim, mas pouco participativos.

O Ital tem sido a única Instituição pública que, desde 2014, tem trabalhado para passar para o mercado, mídia e consumidor informações neutras em relação aos alimentos industrializados.

Acredito que nos próximos anos teremos um maior engajamento de entidades científicas e das próprias faculdades de engenharia de alimentos e faculdades de nutrição.

PANORAMA – Quer acrescentar algum ponto à nossa conversa?

LUIS – Sim, quero enfatizar a importância das entidades setoriais para o processo de inovação tecnológica dos setores de ingredientes, alimentos e bebidas em embalagens.

Iniciamos os trabalhos com essas entidades em 1988, ou seja, 23 anos atrás, e hoje trabalhamos com mais de 50, focadas no trabalho técnico e talvez a área mais estratégica para os próximos anos a comunicação baseada na ciência e tecnologia.

Neste contexto, agradecemos todo o apoio e parceria com a Abiad nestes últimos anos.

Luis Madi, diretor de Assuntos Institucionais do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

 

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