Importância dos aditivos alimentares na indústria e para a sociedade

Panorama ABIAD entrevistou Thais Magalhães, gerente de assuntos regulatórios da Ingredion e coordenadora do GT Aditivos, para entender melhor sobre os papéis dos aditivos alimentares nos alimentos para fins especiais.

Panorama – Como podemos definir aditivos alimentares de forma mais simples?

Thais – Aditivos alimentares são substâncias adicionadas intencionalmente na fabricação do alimento sem a função de nutrir, mas capazes de modificar algumas características do alimento. Podem estar presentes em quantidade muito pequena no alimento final ou nem serem percebidos.

Por isso não é ingrediente, pois esse está presente no final e é essencial à produção do alimento.

Panorama – quais são as modificações possíveis que os aditivos podem produzir nos alimentos?

Thais – são várias e possuem funções tecnológicas importantes, como espessantes, estabilizantes, aromatizantes, sequestrantes e antiumectantes. Alguns têm dupla função, como a pectina, que pode ser espessante ou estabilizante.

Panorama – são utilizados somente para melhorar a percepção do produto ou são essenciais à fabricação dos alimentos?

Thais – não se trata de estratégia comercial ou para deixar o produto mais bonito, mas adicionamos essas substâncias para ajudar a atender uma série de parâmetros estabelecidos, por exemplo, pela Anvisa, para chegar à mesa do consumidor.

Costumo dar o exemplo do pão de forma. Sem aditivos, não seria possível fabricá-los na Região Sudeste e vendê-los no norte do país sem perder a qualidade.

Quando se trata de alimentos para fins especiais, os parâmetros costumam ser mais duros para garantir a segurança das pessoas, especialmente quando se trata de estabilidade e shelf life.

Panorama – consegue dar alguns exemplos específicos nos alimentos para fins especiais?

Thais – vou citar alimentos para dietas enterais. Não posso oferecer alimentos com perfil sensorial inadequado, como grumos ou uma viscosidade inadequada, sob o risco de entupir a sonda ou outros danos ao paciente. Às vezes, a receita em si não é capaz de garantir essa característica, então entram aditivos para garantir essa textura. Esse alimento pode precisar ser refrigerado e sem contaminações dentro da validade garantida, porém, imagine que nesse país de proporções continentais, esses alimentos nem sempre estão sob as devidas condições no transporte e armazenamento. Então, por segurança, utilizamos aditivos para garantir o atendimento às normas.

Panorama – os aditivos alimentares são regulados como os demais itens utilizados nos alimentos para fins especiais?

Thais – sim, todas as substâncias devem ser aprovadas pela Anvisa para uso como aditivo alimentar para determinada finalidade tecnológica. Antes disso, foram avaliadas e aprovadas pelo Jecfa.

Panorama – essa legislação é moderna?

Thais – A legislação da Anvisa sobre o tema é boa, mas um pouco ultrapassada, requerendo ser revisada. O Codex Alimentarius, por exemplo, tem autorizado o uso de alguns aditivos para outras aplicações além daquelas já previstas originalmente, mas essa atualização pela Anvisa não é automática, requerendo um prazo entre requisição da indústria, avaliação técnica pela Anvisa e sua aprovação de uso.

No Mercosul temos um outro cenário. As categorias alimentares são revistas, uma de cada vez, para buscar padronizações de definições, sendo que, normalmente, os aditivos alimentares utilizados dentro da categoria em questão são revisitados também. A categoria em revisão no momento é a de lácteos.

Panorama – como são produzidos os aditivos alimentares?

Thais – a grande maioria dos aditivos é extraído na natureza, como da semente de algodão, das algas e da casca da laranja. Poucos são desenvolvidos totalmente em laboratórios.

Panorama – o que você entende que falta o consumidor final entender sobre os aditivos alimentares?

Thais – que aditivos alimentares não fazem mal à saúde. Ao contrário, trazem segurança e permitem a produção em larga escala de alimentos saudáveis e saborosos. Alguns aditivos precisam ser grafados como códigos, acompanhados de números, o que pode assustar o consumidor desavisado – pode parecer que estamos adicionando algum produto extremamente sintético que pode matar, enquanto, às vezes, é um elemento extraído da natureza.

As pessoas querem comer seu panetone na textura certa com o aroma ideal, produzidos em escala para terem um preço competitivo, correto? Sem aditivos, isso não seria possível.

 

 Thais Magalhães,

gerente de assuntos regulatórios da Ingredion

e coordenadora do GT Aditivos.

 

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