Pior crise hídrica dos últimos 91 anos traz impactos econômicos e políticos

Neste ano o país passa pela pior crise hídrica dos últimos 91 anos, fato que levou o Governo Federal a tomar algumas ações, com destaque à criação da CREG – Câmara de Regras Excepcionais para Gestão Hidro energética. Esta Câmara foi instituída pela Medida Provisória nº 1.055/2021 de forma a fortalecer a governança para o enfrentamento da crise hídrica, estabelecendo, assim, a articulação necessária entre os órgãos e entidades responsáveis pelas atividades dependentes dos recursos hídricos. A CREG é constituída por seis ministros: Minas e Energia, Economia, Infraestrutura, Meio Ambiente, Desenvolvimento Regional e Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

A geração de energia foi diretamente impactada pela falta de chuvas, pois 62% de toda energia elétrica gerada no país é de fonte hidrelétrica, seguida pelas termelétricas (15%), eólicas (10%), biomassa (9%), solar e nuclear (ambas com 2% cada).

Por ter uma infraestrutura mais robusta, o risco de desabastecimento de energia tem sido bem menor do que o de água. Pesou favoravelmente a aprovação de importação de energia da Argentina e do Uruguai.

Os reservatórios de água do subsistema Sudeste/Centro-Oeste, responsáveis por 70% da água armazenada no país, é o que chegou ao estado mais crítico, o que levou algumas cidades do Centro-Sul do país a decretarem rodízio no abastecimento. Mesmo assim, a Sabesp (responsável pela distribuição de água na Grande São Paulo) sempre negou o risco de isso ocorrer na região.

Segundo análise da BMJ, o maior risco para o país é o impacto nas eleições do próximo ano. A crise energética de 2001 pesou na derrota do PSDB nas eleições seguintes, por isso, os termos “apagão” e “racionamento” são evitados pelo governo. Com a entrada das termelétricas no sistema de geração de energia para mitigar os impactos da crise hídrica, o custo da energia ao consumidor subiu (bandeira vermelha), atrasou a recuperação da economia e fez subir a inflação.

A BMJ preparou documento sobre a crise hídrica  e seus impactos na política e economia para as associadas da ABIAD. Acesse aqui.