Ingressei na Fresenius Kabi em 2009, assumindo a responsabilidade pelas áreas de Assuntos Regulatórios, Qualidade e SAC/Farmacovigilância. Ao longo desses 17 anos, vivi experiências extremamente marcantes, tanto pelo meu crescimento profissional quanto pela oportunidade de atuar ativamente na construção e evolução do marco regulatório brasileiro na área de nutrição clínica.
Um dos momentos mais relevantes foi a consolidação da RDC nº 21/2015, que representou uma importante mudança de paradigma para o registro de alimentos para nutrição enteral no Brasil. A partir desse marco, esses produtos passaram a ser avaliados pela Anvisa com critérios mais robustos, reconhecendo seu papel terapêutico para pacientes com a saúde fragilizada e a necessidade de garantir estabilidade nutricional, identidade e pureza até o final do prazo de validade, alinhadas a padrões internacionais.
Esse processo exigiu anos de trabalho colaborativo com a ABIAD e a Anvisa, envolvendo alinhamento de conceitos, definições técnicas e planos de ação, sempre com o objetivo de atender plenamente às expectativas regulatórias e, principalmente, às necessidades dos pacientes.
Na Fresenius Kabi, a integração entre Assuntos Regulatórios, Qualidade e SAC é um diferencial estratégico. Essa visão integrada permite atuar de forma consistente tanto nas interações com a Anvisa durante os processos de registro quanto na garantia de que profissionais de saúde e pacientes tenham acesso a produtos seguros, eficazes e de alta qualidade.
Destaco ainda o trabalho em equipe como um pilar essencial desse sucesso, desde o time local de Assuntos Regulatórios, formado por profissionais altamente qualificados e liderado pela gerente sênior Luciana Guerra de Ávila, até os times globais de desenvolvimento, produção, qualidade, regulatório e marketing. Falar a mesma linguagem e atuar de forma alinhada é fundamental para cumprirmos nosso propósito de demonstrar que a nutrição clínica é uma ferramenta eficaz no combate à desnutrição, contribuindo para melhores desfechos clínicos, menor tempo de internação e redução de custos associados a complicações evitáveis.
A inovação na área de nutrição clínica avança de forma acelerada, com o desenvolvimento de novos ingredientes e conceitos já amplamente utilizados em mercados como Europa e Estados Unidos. No entanto, um dos principais desafios no Brasil é a velocidade de atualização da legislação, que muitas vezes não acompanha esse ritmo, resultando em processos longos para aprovação de novos ingredientes e atrasos no acesso dos pacientes a soluções já consolidadas internacionalmente.
Outro ponto relevante é a evolução das formas de apresentação desses alimentos, como cremes, cookies e gummies, que refletem uma tendência global de tornar a terapia nutricional mais prática e agradável ao paciente. No Brasil, entretanto, ainda há restrições regulatórias que limitam esses formatos, sobretudo pela interpretação de que a nutrição enteral deva ser exclusivamente administrada por sonda, o que diverge de conceitos internacionais.
Além disso, existe uma lacuna regulatória importante: nem todos os alimentos para fins medicinais estão claramente contemplados na legislação vigente. Como consequência, alguns desses produtos acabam enquadrados como suplementos alimentares, destinados a pessoas saudáveis, o que limita a comunicação adequada de seus benefícios ao público-alvo real: pacientes com necessidades nutricionais específicas.
A ABIAD exerce um papel estratégico e indispensável na interlocução com a Anvisa e na construção de um ambiente regulatório sólido, moderno e alinhado às melhores práticas internacionais. Essa parceria é fundamental para assegurar que os consumidores brasileiros tenham acesso a alimentos seguros, de alta qualidade e devidamente regulados.
Além disso, existe uma convergência clara de valores: ambos trabalhamos para que a alimentação destinada a fins médicos não seja apenas funcional, mas também mais humana e prazerosa, respeitando a dignidade e a experiência do paciente durante seu tratamento.
Fora do trabalho, gosto de equilibrar a rotina com atividades que me conectam às pessoas que mais importam. Jogo tênis semanalmente com minha esposa; ainda estamos oficialmente na fase de aprendizado, mas o que conta mesmo é o tempo de qualidade juntos.
Também aprecio um bom vinho, especialmente em momentos de confraternização com a família, quando a degustação vira desculpa para boas conversas e risadas. Sou pai da Lily, de 2 anos, e do Matteo, de 11 anos, e, sempre que possível, fazemos questão de estar juntos, criando memórias em família — afinal, os filhos crescem rápido demais, e esse é um prazo que ninguém quer perder.