Entrevista com Jefferson Dias de Araujo, Diretor de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Grupo Piracanjuba - Abiad

Entrevista com Jefferson Dias de Araujo, Diretor de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Grupo Piracanjuba

27 de April de 2026
  1. Como você avalia o estágio atual da agenda ESG no setor de alimentos para fins especiais? O que já avançou e o que ainda é desafio?

A agenda ESG no setor está em um estágio de amadurecimento consistente, com avanços relevantes nos últimos anos. É comum, na área, avaliar o grau de maturidade da agenda. Observamos uma evolução importante na incorporação de práticas sustentáveis às operações, especialmente em temas como gestão eficiente de recursos naturais, rastreabilidade da cadeia produtiva e segurança alimentar, que são elementos críticos para o segmento.

No ambiental, iniciativas voltadas à redução do consumo hídrico, eficiência energética e mitigação de emissões estão entre as práticas adotadas pelas empresas globalmente, e seus resultados podem ser vistos nos relatórios de sustentabilidade. No pilar social, há um fortalecimento significativo do compromisso com a nutrição de qualidade, segurança dos alimentos e impacto positivo na saúde dos consumidores, sobretudo em públicos consumidores de alimentos para fins especiais.

Entretanto, permanecem desafios relevantes, como a descarbonização da cadeia de valor, especialmente no escopo 3; a integração de pequenos e médios fornecedores às práticas ESG; e a padronização de métricas e indicadores, ainda em processo de consolidação.

  1. Em que aspectos o ESG no setor de alimentos para fins especiais se diferencia de outros segmentos da indústria?

Diferentemente de outros segmentos industriais, o impacto das operações não se limita ao meio ambiente ou à cadeia produtiva, mas se estende diretamente à qualidade de vida dos consumidores.

É importante ver o segmento de alimentos para fins especiais com uma interface direta com a saúde humana, exigindo esforços importantes para a garantia da sua finalidade. Certamente, exigindo muita responsabilidade e garantia de cumprimento das normatizações. Isso é governança no seu nível mais alto.

A parte interessada de maior impacto, quando esses requisitos falham, é o consumidor, afetando diretamente a reputação da empresa e, muitas vezes, até do setor. Por isso, a importância do tema.

Adicionalmente, trata-se de um setor altamente regulado, o que demanda elevados padrões de governança, conformidade sanitária e controle de qualidade. A formulação dos produtos, por sua vez, assume um papel estratégico dentro da agenda ESG, considerando aspectos nutricionais e a necessidade de atender públicos específicos com segurança e responsabilidade.

Outro diferencial relevante é a rastreabilidade da cadeia produtiva, que se torna essencial não apenas para fins de sustentabilidade, mas também para garantir a integridade e a confiabilidade dos produtos disponibilizados ao mercado.

  1. Quais têm sido as principais transformações na forma como as empresas do setor estruturam suas práticas ESG nos últimos anos?

Se observarmos o andamento da estruturação do ESG nas empresas, veremos que estas estão dando mais importância para o assunto, a ponto de adotar ESG como parte da sua estratégia corporativa e um apoio à tomada de decisão.

Não à toa. Tais estratégias vêm contribuindo para a consolidação de marcas junto a consumidores que valorizam cada vez mais o tema. O consumidor pode até não pagar mais caro por um produto mais robusto em ESG, mas valoriza marcas que se comunicam com ele sobre o tema.

Além dessa estratégia, a cadeia de valor é ponto importante no processo, incorporando fornecedores, logística e ciclo de vida dos produtos nas estratégias de sustentabilidade.

Observamos ainda alto valor na consolidação dos processos de governança e transparência, com adoção de frameworks reconhecidos internacionalmente e a consolidação de relatórios de sustentabilidade mais robustos e auditáveis.

  1. Como você enxerga o futuro da agenda ESG para o setor e quais serão as próximas exigências e oportunidades?

Vejo ambiental, social e governança muito mais regulamentados e com processos mais transparentes. Normatizações de modo a equalizar as obrigações das empresas, que nos dias de hoje são muito díspares.

Na área ambiental, vejo tecnologias como propulsoras de mitigação dos impactos, especialmente na descarbonização. Todas essas estratégias foram integradas fortemente com a estratégia financeira das empresas.

É de se esperar que tenhamos muitas descobertas relevantes, especialmente nos tempos de IA. Novos produtos, novos conceitos, novas tecnologias, novos comportamentos e, com isso, um mar de oportunidades para quem conseguir acompanhar o processo. Fiquemos atentos!

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