Quem é o novo consumidor do bem-estar? - Abiad

Quem é o novo consumidor do bem-estar?

28 de julho de 2026

Vivemos um momento histórico para a prática esportiva no Brasil. A corrida de rua talvez seja a face mais visível desse movimento, embora esteja longe de resumir a história. Academias cheias, parques transformados em espaços de treino, ciclovias movimentadas e estúdios especializados mostram que o exercício físico está ocupando um lugar permanente na rotina das cidades.

Quem ajuda a trazer esse diagnóstico é a Times Brasil, ao mostrar que o país registrou, em 2025, 5.241 corridas oficiais, número quase duas vezes superior às 2.827 provas realizadas em 2024. Trata-se de um crescimento de 85% em apenas 12 meses, concentrado principalmente em três estados: São Paulo, Paraná e Santa Catarina. A alta capilaridade dessa modalidade acompanha uma transformação mais ampla relacionada à busca por saúde e bem-estar. Nunca tantos moradores de centros urbanos, no Brasil e no mundo, de diferentes gerações e perfis, integraram um ecossistema que combina saúde, esporte, socialização, metas individuais, turismo e senso de pertencimento.

Os números ajudam a explicar esse entusiasmo. Dados da Brain Inteligência Estratégica mostram que, em 2025, 42% dos brasileiros praticaram alguma atividade física, enquanto 58% permaneceram sedentários.

Embora, à primeira vista, essa relação pareça indicar uma vantagem para o sedentarismo, a tendência aponta justamente para o movimento contrário. A maior flexibilidade de agenda trazida por novos modelos de trabalho, o avanço de aplicativos capazes de montar treinos e acompanhar resultados, além das comunidades digitais voltadas ao esporte, ajudaram a popularizar a prática esportiva. Hoje, fazer exercício também significa socializar, estabelecer objetivos pessoais e compartilhar conquistas.

O próprio Strava, uma das principais plataformas do mundo para registro e compartilhamento de atividades físicas, ajuda a contar essa história. A empresa analisou bilhões de atividades realizadas por sua comunidade de mais de 180 milhões de usuários em 185 países, além de uma pesquisa com mais de 30 mil pessoas. Entre os principais achados está uma mudança interessante de comportamento: a Geração Z está trocando parte da interação digital passiva por experiências presenciais e ativas. Em 2025, foram registrados 14 bilhões de kudos, forma pela qual os usuários reconhecem as conquistas uns dos outros em atividades físicas.

O que isso significa para o setor de alimentos para fins especiais?

Para a indústria de alimentos e para o mercado de saúde, talvez a principal mudança seja de perspectiva. O exercício físico ocupa um espaço importante em uma rotina que também envolve alimentação, recuperação, socialização e bem-estar. É essa combinação de hábitos, e não a atividade física isoladamente, que ajuda a explicar a transformação do mercado.

E toda jornada cria oportunidades. Quanto mais pessoas incorporam alguma prática esportiva ao dia a dia, mais fácil fica enxergar momentos bastante distintos: o preparo, a atividade em si, a recuperação e até os intervalos entre um treino e outro. Cada etapa pede soluções diferentes, seja no aporte de carboidratos, proteínas, eletrólitos, cafeína, vitaminas e minerais, seja na hidratação.

Nesse contexto, talvez o maior equívoco sobre esse universo seja imaginar que ele pertence apenas aos atletas de alta performance, pois durante muito tempo, alimentos para fins especiais e suplementos foram associados quase exclusivamente a esse público. Basta olhar para parques, ciclovias e academias, porém, para perceber outra realidade.

Quem começou a caminhar depois do trabalho, pedala até o escritório, faz pilates duas vezes por semana ou decidiu trocar o elevador pela escada também integra esse universo. E, em muitos casos, esse consumidor representa um potencial ainda maior do que o esportista experiente, justamente porque está construindo novos hábitos e descobrindo novas necessidades.

Os dados da ABIAD ajudam a dimensionar essa mudança.    

Segundo pesquisa realizada pela Associação em 2020, 59% dos lares brasileiros já contavam com ao menos um morador consumindo suplementos, um avanço de 10 pontos percentuais em relação a 2015. Desde então, o crescimento continuou. No primeiro trimestre de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior, o consumo aparente de complementos alimentares, suplementos vitamínicos, alimentos com restrição de nutrientes, alimentos funcionais e nutrição enteral avançou 14,3%, enquanto o de vitaminas cresceu 26,1%. O consumidor tornou-se mais diversificado e passou a buscar benefícios que vão além da performance, como recuperação, imunidade, qualidade do sono, disposição, saúde cognitiva e envelhecimento saudável.

Essa transformação exige respostas diferentes da indústria. Formulações específicas para objetivos distintos, formatos mais práticos e comunicação baseada em ciência acompanham um consumidor que busca soluções compatíveis com sua rotina e seu nível de atividade física.

As inovações da indústria de alimentos para fins especiais

Produtos voltados à hidratação, reposição de eletrólitos, recuperação muscular, aporte proteico, suporte energético e saúde intestinal estão sendo desenvolvidos para atender objetivos e perfis diversos. Ao mesmo tempo, bebidas prontas para consumo, pós solúveis, géis, barras, gummies e outras soluções práticas ganham espaço ao acompanhar uma rotina em que conveniência e funcionalidade caminham lado a lado.

As próprias corridas de rua ilustram bem esse movimento. Kits dos atletas, pontos de hidratação, espaços de recuperação e ações de ativação permitem que o consumidor experimente alimentos para fins especiais, exatamente no momento em que eles fazem sentido. Assim, esses ambientes funcionam como um laboratório que permite que a indústria desenvolva e apresente soluções mais contextualizadas, e o consumidor encontre produtos alinhados ao clima, à distância percorrida, à tolerabilidade gastrointestinal e aos diferentes perfis de praticantes.

Trata-se de uma relação mais qualificada entre indústria e consumidor. Afinal, o esporte mudou de lugar. Saiu do universo de poucos e passou a fazer parte da rotina de muitos brasileiros. Ao setor de alimentos para fins especiais cabe acompanhar essa transformação com a mesma velocidade, investindo em inovação para continuar oferecendo soluções que respondam a um perfil de consumidor mais informado, com hábitos cada vez mais diversos e que busca mais qualidade de vida.

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