Para onde vamos

Nesta entrevista, Gislene Cardozo, diretora executiva da ABIAD, fala sobre as tendências e perspectivas da Associação.

 PANORAMA – Desde quando você atua na ABIAD e o que notou de mudança nesse período?

GISLENE – Estou na ABIAD desde julho de 2017. Entrei no início das discussões sobre suplementos alimentares com a Anvisa.

Foi um período muito importante na questão da regulamentação de suplementos, uma bandeira que a ABIAD vinha trabalhando há anos. A partir do marco regulatório do setor, vimos uma nova onda de associados.

Como tivemos um papel de liderança da indústria junto à Anvisa, todos adquiriram bastante confiança na Associação como importante interlocutora nos assuntos regulatórios, como em rotulagem, edulcorantes, nutrição infantil e enterais.

Antes disso, quase só observávamos reuniões de suplementos, o que mudou radicalmente. Passamos a ter reuniões e participações ativas nos demais GTs.

PANORAMA – Falando sobre os setores cobertos: suplementos, edulcorantes, nutrição infantil, rotulagem… Você acredita que, no futuro próximo, a ABIAD terá que abranger outros assuntos hoje fora do radar?

GISLENE – Vamos ao conceito de alimentos para fins especiais. Dizemos que a ABIAD está presente em todas as etapas da vida. Hoje, sentimos que estamos bastante cobertos pelos segmentos acima e demais já em andamento na Associação.

Em um futuro, quem sabe. Vemos até na Anvisa a procura por se manter atualizada sobre novos ingredientes, clean label e outros temas que surgem ocasionalmente. A área de alimentos tem evoluído rapidamente e precisamos estar atentos para acompanhar.

PANORAMA – Existe uma tendência de se intensificar a atuação da ABIAD junto à Anvisa e outros órgãos do Poder Público?

GISLENE – A ABIAD intensificou sua atuação junto à Anvisa e expandiu a outras instituições, seja dentro do próprio Ministério da Saúde, ou em outros ambientes, como o Ministério da Cidadania.

Mapeamos os stakeholders e pretendemos atuar em outras áreas do Poder Público. Devemos andar próximos a eles, porque muitas vezes podemos motivar algum tipo de política pública que beneficie a população, oferecendo informações detalhadas que podem contribuir. E ocorre uma troca, porque esses stakeholders pedem ajuda em divulgações e engajamento das associadas. Esse é o papel da associação, ser interlocutora dos associados com seus principais stakeholders.

PANORAMA – O que mudou na estrutura da ABIAD e o que deve mudar, pensando, especialmente, nos benefícios percebidos pelas empresas associadas?

GISLENE – Desde que cheguei, criamos a área técnica, hoje com duas especialistas, e trouxemos uma profissional para ficar período integral nos assuntos administrativos e de comunicação. Criamos uma estrutura de pessoas, além do apoio de assessorias e consultorias externas.

Com a intensificação dos trabalhos da ABIAD, a tendência é que venhamos a fortalecer essa estrutura, porque já é uma demanda das associadas.

PANORAMA – Qual o impacto futuro que o planejamento estratégico recém-concluído pode gerar, além dos próprios objetivos já bem definidos?

GISLENE – Pela primeira vez nos dedicamos sobre um planejamento estratégico de maneira conjunta, não foi algo elaborado exclusivamente pelo staff ou pela diretoria. Uma evolução, sem dúvida. Para que possamos crescer em outras áreas, o diálogo aberto com os envolvidos é sempre uma excelente alternativa.

PANORAMA – Olhando os últimos resultados e o momento atual da ABIAD, como enxerga a participação das empresas associadas, por meio de seus profissionais, na Associação?

GISLENE – Recentemente, expandimos as ações, além da parte técnica, como a criação do GT de Relações Institucionais e ações específicas de comunicação voltadas ao nosso segmento de atuação. A comunicação sem marca impacta mais o receptor da mensagem, seja ele profissional da saúde ou consumidor final. Traz credibilidade ao tema.

Especificamente sobre os GTs, que são a forma mais eficientes das associadas participarem da ABIAD, pode ser que surjam novos e as mudanças são sempre bem-vindas. Respondemos às necessidades das associadas e o objetivo é sempre evoluir.

Os temas acontecem e a gente se adapta ao que está acontecendo. Hoje temos um grupo de suplementos infantis, algo que não existia, mas com a regulamentação notamos que havia essa necessidade.

Às vezes há temas finitos e acabamos criando um grupo ou outro para isso. Criamos grupos para trabalhar Guias de Qualidade reunindo especialistas da área específica, de P&D e qualidade. Isso abre portas para profissionais além de regulatórios, que são os que fazem o dia a dia da Associação.

PANORAMA – A ABIAD teve um aumento imenso no número de empresas associadas nos últimos anos. Você enxerga que essa tendência deve permanecer?

GISLENE – Sempre buscamos o crescimento sustentável do número de associados. Não é nosso alvo as empresas que entram e saem na sequência. Associação forte é baseada em associados que participam. Queremos que isso continue e temos espaço para continuar crescendo.

PANORAMA – Qual outra tendência você quer enfatizar?

GISLENE – Acredito que devemos nos antecipar a alguns temas, avaliar o mercado de forma mais detalhada e entender, por exemplo, se estamos cobrindo os assuntos mais importantes da nossa área. Transmitir para a sociedade informações importantes daquele segmento também é papel da associação. Temos um ótimo exemplo recente, que é a campanha dos edulcorantes, mas podemos expandir

Gislene Cardozo

Diretora executiva da ABIAD.