Há dez anos, os multivitamínicos já faziam parte da rotina de muitos brasileiros. Apareciam entre os produtos mais consumidos em diferentes idades e regiões do país. O que mudou desde então foi a dimensão que as vitaminas ganharam dentro do universo da suplementação e, principalmente, a variedade de pessoas, produtos e necessidades reunidas hoje sob uma mesma categoria.
As três edições da Pesquisa, realizadas em 2015, 2020 e 2025, registraram essa evolução. No primeiro levantamento, as vitaminas estavam presentes no consumo de 48% dos entrevistados que utilizavam suplementos alimentares. Em 2020, eram 42%. Na última edição, chegaram a 84%, o maior percentual entre as categorias pesquisadas, sendo as vitaminas D, C, B12 e multivitamínicos os produtos mais consumidos. Os multivitamínicos, por exemplo, aparecem em 31% da amostra, diante de 18% registrados na edição anterior. De forma complementar, a edição nº 39 do Boletim Econômico ABIAD/Websetorial, que acompanha os indicadores econômicos do setor, aponta alta de 5,1% no consumo aparente de complementos alimentares e suplementos vitamínicos nos 12 meses encerrados em junho de 2026.
O crescimento das vitaminas aconteceu dentro de um mercado em que as razões para consumir suplementos também se modificaram. Complementar a alimentação, afinal, pode responder a necessidades bastante diferentes, que também mudam com o tempo. No levantamento de 2020, nove em cada dez entrevistados afirmavam utilizar suplementos para complementar a alimentação. Aquele também foi um ano marcado pela preocupação com a imunidade. Durante a quarentena, 48% aumentaram o consumo de suplementos e, entre essas pessoas, 91% buscavam fortalecer o sistema imunológico.
Cinco anos depois, o cenário aparece mais diversificado. A saúde permanece como principal razão declarada para o consumo de suplementos, ao lado de disposição para o dia a dia, correção de deficiências nutricionais, complementação da alimentação, qualidade de vida e longevidade. Essa comparação indica que a expansão da categoria ocorre em um cenário no qual o consumo de suplementos se relaciona a necessidades distintas, da complementação da alimentação a objetivos específicos de saúde e bem-estar.
O consumo de vitaminas em diferentes fases da vida
A edição de 2025 da pesquisa mostra que os multivitamínicos são consumidos por 35% dos entrevistados de 17 a 24 anos. Entre aqueles de 51 a 59 anos, as vitaminas D e B12 têm maior presença, citadas por 42% e 40%, respectivamente. Entre os consumidores de suplementos com 60 anos ou mais, 95% utilizam algum produto classificado como vitamina. O tipo de produto também varia entre as gerações. Entre os mais jovens, os multivitamínicos dividem espaço com suplementos ligados à prática esportiva, como creatina e whey protein. Nas faixas etárias mais altas, vitaminas específicas aparecem com maior destaque.
A diferença é importante para a indústria desenvolvedora destes produtos, pois uma categoria pode crescer e, ao mesmo tempo, reunir pessoas com hábitos e interesses bastante distintos; os recortes por idade ajudam a identificar essas diferenças, oferecendo referências para pensar formulações, apresentações e formas de comunicação adequadas a cada público.
Escolher uma vitamina também é entender o que há nela
Na hora da compra, a formulação é o fator mais citado entre os consumidores de suplementos alimentares em geral, mencionada por 51% dos entrevistados. A indicação médica aparece em seguida, com 41%.
Esse resultado tem relação muito próxima com o mercado de vitaminas. Na prateleira, há desde produtos formulados com um único componente até multivitamínicos, que reúnem diferentes vitaminas e minerais. Sob uma mesma categoria, portanto, encontram-se formulações distintas, destinadas a diferentes públicos e finalidades.
Os rótulos são um dos pontos que se destacam na comparação entre as três pesquisas. As sugestões para melhorá-los foram mencionadas por 48% dos consumidores na edição mais recente, diante de 23% na anterior. Entre elas estão informações mais fáceis de entender, explicações sobre a composição, indicação da finalidade do produto e orientações de uso. Com os profissionais de saúde, a trajetória é diferente. A procura por orientação se manteve em patamares próximos nas pesquisas realizadas entre 2015 e 2025, variando de 66% a 71%. Na edição mais recente, o médico aparece como a fonte profissional mais citada.
Regulação acompanha um mercado mais complexo
Desde setembro de 2024, a RDC nº 843/2024 e a IN nº 281/2024 estabelecem os procedimentos para a regularização de alimentos no Brasil. Os suplementos alimentares estão sujeitos à notificação na Anvisa, o que significa que as informações dos produtos notificados ficam disponíveis em uma base pública da Agência. Essa notificação segue as regras da Anvisa, sem que cada produto precise passar por uma avaliação ou aprovação individual antes de chegar ao mercado, mas podem ser analisados a qualquer momento perante evidências de inadequação ou da qualidade.
Outras normas determinam, ainda, o que pode entrar na composição dos suplementos e quais informações devem acompanhar esses produtos. Sendo assim, o órgão regulador estabelece os constituintes autorizados, os limites de uso, os grupos populacionais destinados, as alegações permitidas e as advertências aplicáveis. Para a indústria, essas regras fazem parte do caminho que liga o desenvolvimento do produto à chegada ao consumidor. A composição precisa atender aos critérios estabelecidos, e a comunicação deve corresponder ao que a regulamentação permite informar.
À medida que surgem inovações e propostas de novos ingredientes, a regulamentação estabelece os critérios que orientam sua entrada no mercado. Com isso, o desenvolvimento da categoria ocorre dentro de parâmetros definidos para composição, uso e comunicação dos produtos.
O que dez anos de pesquisa mostram sobre o futuro
Ao longo do período, as Pesquisas de Mercado da ABIAD registraram mudanças nos hábitos, nas escolhas e nos perfis de consumo. As vitaminas conquistaram mais espaço na rotina dos brasileiros e chegaram a um consumidor com mais acesso à informação e novas expectativas sobre os produtos que escolhe.
Nos próximos anos, a personalização tende a ocupar um lugar importante, com propostas voltadas a necessidades mais específicas. Ciência, informação e responsabilidade regulatória permanecem fundamentais nesse processo. As pesquisas da ABIAD e sua participação nas discussões técnicas do setor contribuem para compreender essas mudanças e os rumos da categoria.